quinta-feira, 23 de junho de 2016

O retrato de uma prefeitura

O retrato de uma prefeitura
PDF 667








Toda foto postada é passível de ser analisada. E na foto em tela, temos um palácio (Palácio Felipe Camarão) ocupado por uma prefeitura, próximo ao Palácio Potengi (Palácio da Cultura). Um prédio histórico que guarda uma memória do passado convivendo com um momento presente. Um prédio localizado em um centro histórico. O passado e o presente administrativo da cidade. Palácios com Prefeitura e Assembleia Legislativa no momento atual, ali frente a frente..

Uma prefeitura que não mantem uma ordem urbana, inclusive na própria porta, e esta localizada em uma esquina. Um prédio no centro de uma cidade, o centro da zona urbana, com uma fila de carros estacionados e dobrando a esquina. Há de ser citado que na esquina existe uma faixa de pedestres, donde se conclui  que o carro parado na esquina, alem não respeitar a distancia regulamentada para estacionar em esquinas, deve estar ocupando a faixa de pedestres, impedindo pedestres de entrar ou sair na/da calçada.  É possível ver no carro da esquina, um adesivo, ficando claro, o carro estar a serviço da prefeitura. Fato que não justifica o local escolhido para estar estacionado. Nos carros que se seguem adiante não há adesivo, podendo ser carros particulares, que também estão mal localizados.

A sombra projetada no chão pelos carros, nos dão indício de ser por volta das 12:00h, um momento considerado como hora de almoço. A porta principal esta aberta e dois cidadãos estão próximos a porta, conversando, como a esperar a entrada ou saída de alguém. As placas na esquina são quase legíveis indicando os nomes da ruas. Esquina de Ulisses Caldas. Tudo indica ser horário comercial. Acima da porta principal a bandeira do Brasil e do estado.

Na rede social onde foi encontrada a foto, esta a seguinte nota:

ATENÇÃO:
A Prefeitura do Natal vem a público informar que nesta sexta-feira (24) vai decretar Ponto Facultativo para o expediente nas repartições públicas municipais de Natal por ocasião dos festejos juninos.




domingo, 12 de junho de 2016

O Séquito dos desesperados


O Séquito dos desesperados
PDF 658

(em construção)

Foto: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=726206874185923&set=pcb.726208047519139&type=3&theater em 12/06/16

As fotos existem tal como a função de um documento. Um documento de imagem para provar quem estava presente. quem apoia um evento, e quem apoia alguém ou uma ideia. E em um lapso de tempo, com alguns disparos, registram comportamentos, pensamentos ocultos de quem estava presente, leituras do inconsciente, negadas pelos que estarão na fotos. O corpo é uma mídia permanente, expressando comportamentos e ideias. Os braços estão em posição de marcha, um à frente e outro atrás mostrando o ritmo da marcha do corpo. O olhar evita a lente, que pode mostrar o fundo dos olhos. Ao perceber uma câmera, criamos novas poses e novos olhares. Uma pose pode ser modificada, criando poses desejadas. E alguns detalhes não são planejados. As mangas da camisa, arregaçadas, tentam demonstrar muito trabalho.

As expressões no rosto, e nas mãos, com as posições dos dedos, mostram alguns de seus pensamentos, seus sentimentos e suas emoções. Como o dedo que aponta naquele momento para o chão. Um dedo que já apontou um fato, pretende apontar uma direção, ou até apertar um gatilho.  O desvio cervical, um desvio de coluna, declarado pelo alinhamento dos ombros. A coluna é o símbolo psicossomático do equilíbrio e da postura.

Não é possível afirmar que havia uma intenção do fotógrafo, em revelar detalhes, pois só depois de divulgadas, que as fotos revelam imagens, detalhes que não estavam nas lentes dos olhos do fotógrafo. Por novos olhares outros detalhes podem ser percebidos. Ao fundo uma imensa fila de carros, aguardado a vez, aguardando a passagem dos que estavam ali, para saírem nas fotos. Fotos para mostrar quem são seus amigos e apoiam seus atos. Curiosamente, a maioria dos que seguem a frente, vestem tons de azul. Coincidência, seleção ou orientação. Podem seguir a moda de um discreto YSL, que concordam até na cor.  

Toda foto tem detalhes que podem ser descobertos e analisados. Como muitos carros ao fundo, invadindo a ciclovia e ocupando as calçadas. antes da reinauguração do viaduto. O que indica um habito futuro, com possíveis congestionamentos. A ocupação das calçadas pelos carros, hoje já é evidente e notório em outros logradouros Na tal cidade do viaduto, onde faltam calçadas. E com alguma certeza, o carro branco, na pista oposta, estacionado no recuou, deve ter seu proprietário exposto na foto, andando a pé,  na intenção de se mostrar diante da lente, um cidadão comum.

Um grupo de olhares cabisbaixos, com semblante de cansados, subiu a rampa de um viaduto. Abriram o caminho antes dos carros, para terem visibilidade e notoriedade. Era um ato de inauguração de um viaduto para carros. Dizem haver ciclovia e caminho para pedestres. Mas não foi para pedestres e ciclistas, que o viaduto foi reformado e reaberto, a razão principal foi para os automóveis, um símbolo de domínio, sucesso profissional e econômico; ostentação e poder.

Longe do povo, que vive nas ruas,  caminharam a pé sobre uma pista de asfalto pelo alto. não inauguraram a via em seus carros, com ar condicionado, película no vidro e totalmente fechados, talvez até houvessem carros blindados. Em seus carros não seriam percebidos, não estariam no alcance da câmera e no foco das lentes. Passariam muito rápido, e somente um bom fotografo, com lente zoom e velocidade de abertura 1/1000, captaria seus sorrisos alegres, e sem suores nos rostos. E poderiam ser flagrados usando telefones celulares ao volante, em conversas ou em selfies.

Talvez por baixo do viaduto, abrigados do sol e das chuvas exista um povo residente, excluído da cidade. Podem estar abrigados em barracos de papelão, ou casas simples ao longo de uma avenida, ao longo de um antigo córrego existente, agora cobertor pelo asfalto, espremido em canaletas, recebendo ligações de esgoto clandestinas.

Não existiriam alamedas com mansões cortadas por um viaduto. Seus proprietários não concordariam com o movimento intenso de carros, e com o barulho de buzinas, acompanhados da fumaça dos escapamentos. Um séquito subiu um viaduto em busca de votos. A busca dos votos daqueles que vão cruzar o viaduto enclausurados em automóveis, passando por cima da cidade. Os votos daqueles dentro de uma bolha automotiva. Os que buscam caminhos para seus carros, ignorando velocidades, faixas de pedestres, passeios públicos e ciclovias.

A cidade tem uma linguagem nos logradouros, com ruas avenidas e viadutos, escrita pelos seus administradores.

https://wordpress.com/post/xananasblog.wordpress.com/78


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http://www.publikador.com/meio-ambiente/maracaja/manifestacao-silenciosa
http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5451427
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http://valedojerimum.blogspot.com.br/2015/03/manifestacao-silenciosa.html


Escondidinhos e arrumadinhos

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Parado na Filosofia

Parado na Filosofia
PDF 656


Andando pelas ruas de Natal, foi possível avistar uma filosofia
A filosofia de quem gosta de levar vantagem em tudo
Um carro parado bem próximo a uma esquina
Quase na esquina com Romualdo Galvão, a rua por trás do Shopping

Um carro estacionado.
A menos de cinco metros do cruzamento, diante a uma placa indicativa de local para paradas de ônibus
Minimamente duas infrações: a menos de cinco metros da esquina, e estacionado em frente a uma parada de ônibus.
A placa estava ali estática para avisar. Nem era preciso haver um ônibus para descer ou subir um passageiro.

Mas ainda falta mais uma infração, estacionado junto a guia, o lugar onde os pedestres sobem ou descem a calçada, ultrapassando a guia. A guia que pode ter um piso táctil, avisando a uma bengala, que ali termina o chão.

Alguém pode até dizer que são coisas de uma metrópole,
Mas o carro tinha um adesivo, junto a tampa do porta malas, com dizeres filosóficos,
Parece que o motorista frequenta a Nova Acrópole.




domingo, 5 de junho de 2016

Banco de Tempo

Banco de Tempo
A casa da mangueira
(em construção)
PDF 654



Cadeiras e bancos sentados no presente, remeteram-se ao futuro e ao passado. E como sempre as histórias se repetem. Podem até mudar o cenário, mas remetem suas ideias ao futuro e ao passado. No passado sentaram-se em pedras ou no chão, debaixo da sombra de uma mangueira, junto a uma cerca. Depois confeccionaram os tamboretes, até que chegaram os bancos e as cadeiras, e outro modelos de assentos, com almofadas e encostos, proporcionando algum conforto. A mangueira continua presente.

Para encontrar a casa da quase prima, foi preciso um conhecimento. Primeiro com informações coletadas, com a descrição da casa da quase prima. Uma mangueira era o principal referencial. Uma casa com uma mangueira, destacando-se na paisagem urbana. E tornou-se necessário saber o que seria ser uma casa, e distinguir uma mangueira, como árvore frutífera, ou uma mangueira para regar um jardim; ou quem sabe, uma coleção de mangas de camisas. Ainda há os mangotes e outras mangueiras, que podem ser pequenos frutos, peças de irrigação ou de carros. Em outros tempos mais remotos a casa poderia ser perto de uma pedra, junto a um córrego ou colada junto a cerca. E até ter uma mangueira, a casa depois do pé de jambo ou de um coqueiro.

E na rua haviam casas, com coqueiros e com jambeiros, era preciso distinguir uma mangueira, que poderia ter tons de verde diferentes.  Mais tarde na casa da mangueira, surgiu uma informação, que somente os índios conseguem identificar uma grande variação nos tons de verde. Nas cidades, cada vez mais surgem os tons de cinza.

Ninguém é capaz de dizer que o conhecimento não importa, o conhecimento se insere nas pessoas sem mesmo que elas se deem conta. E não é aprendido somente nas escolas. A escola é a transferência de uma responsabilidade aos professores, da responsabilidade de mostrar uma trilha, a trilha do conhecimento. A comodidade de não pesquisar e descobrir os caminhos.  O corpo é um conjunto de conhecimentos, obtidos pelos sentidos e explícitos pelos comportamentos. Por palavras e pelos gestos. Por apliques e adereços, no vestuário ou no corpo. Por rabiscos em papel ou riscos abstratos em uma pedra, perdida em meio a floresta, ou até no árido sertão.

E para encontrar uma casa em uma rua, já é necessário um conhecimento básico. primeiro distinguir uma rua, que pode a princípio um caminho aberto na mata por um trator. Mas as ruas na cidade normalmente de distinguem por vias asfaltadas, com calçadas de ambos os lados, e a via se destaca por uma diferença de níveis, entre a via asfaltada destinada aos carros e a calçada, junto as casas, um pouco mais elevada, o caminho para os pedestres. Na rua cheia de casas residenciais e comerciais, era necessário reconhecer uma mangueira em uma casa residencial. Ao avistar a mangueira, já era possível supor a existência de uma campainha, a não existência cairia em outros recursos, bater na porta, bater palmas ou chamar do portão. Tudo isto por mais simples e comum que seja, é um conhecimento.

A divisa da calçada com a rua, tem um meio-fio (guia), que a prefeitura pode denominar como alinhamento. E cada casa pode ocupar um lote, desde do tempo que não haviam casas e era um grande terreno. Terreno ou fazenda que foi loteado, para que quem o adquirisse, construísse uma casa. E talvez a mangueira daquela casa, seja a única lembrança daquele espaço no passado, dos tempos que ali não existiam nem ruas e nem casas. Pode ter sido uma sombra para descanso no tempo, que só existiam caminhos e trilhas.

O urbanismo vai chegando e apagando as memorias e as lembranças. E assim pode ser o vocabulário, com frases e palavras, com o tempo podem ir se modificando, perdendo seus significados, perdendo as lembranças. Hoje a cerca esta trocada por um muro. Muros e paredes são os símbolos divisórios do espaço urbano, trocando cercas de mourões e arames, e malhas de gravetos preenchidos com o barro. E se houvesse um córrego, agora estaria coberto por asfalto, correndo por dentro de manilhas. Os animais que ali passavam como montarias, hoje ainda podem estar atrelados a carroças, com um carroceiro catando as sobras, descartáveis reutilizáveis e metralhas. Estão perdidos no asfalto e no tempo. Coletam em suas carroças a produção da cidades, embalagens, entulhos e metralhas. Cada um vive em seu tempo, desfrutando de um mesmo espaço. O futuro, o passado e o presente, estão nas ruas. Basta entender as linguagens, descritas no corpo e no comportamento.

Ruas e avenidas são as vias básicas de uma cidade, evoluídas das trilhas e caminhos. Vez por outra um conhecimento local, com usos de expressões regionais ou bairrismos, em um significado, podem haver diferenciações. Alamedas e avenidas, variam das largas com inúmeros carros em velocidade, a espaços estreitos ladeados por casas, sem espaços para carros, somente os pedestres tem acesso. Podem possuir arvores, em suas laterais, ou em canteiros dividindo ao meio a via.

Mas na sombra daquela mangueira, perdida agora no espaço urbano, um grupo sentou para dedicar um tempo, entre os que estavam presentes. Resgatar histórias e resgatar outros significados. Embora não haja registros, outros grupos do passado podem ter sentado naquela mesma sombra da mangueira, para contar histórias e causos.

O grupo de Daluzinha, a quase prima, reuniu-se mais uma vez debaixo da sombra da mangueira. E o espaço da antiga fogueira, próximo a mangueira, agora é a cozinha. A varanda é a tenda, com espaços abertos. Ainda existe a porteira, onde o carro substituiu a carroça. Repetia-se mais um ato, dos tropeiros antigos. Agora é o conhecimento que vai como bagagem. As mercadorias mudaram de formas e valores, já foram agrícolas, comerciais e industriais. Agora são intelectuais. Enquanto um grupo trocava histórias e mercadorias, debaixo da mangueira, uma se dedicava ao cozimento de alimentos, para alimentação da tropa.

Faziam um escambo com suas mercadorias. Saberes e sabores, sempre estiveram juntos, desde os tempos bíblicos. Um dia Deus não queria que o homem obtivesse o conhecimento, proibindo o consumo de um fruto. E agora os governos se intitulam deuses, com capacidades e autoridades de controlar o conhecimento. Controlam a produção, a exportação e a importação de alimentos. controlam a educação e as escolas. controlam os números. Excluem o que desejam, do alcance dos povos com valores absurdos e impostos.

A cozinha é o espaço onde as coisas e as ideias se misturam. Ali junta-se os componentes agrícolas com os componentes industriais, com toques intelectuais. O encontro do urbano com o rural. E tal como os livros, os pratos são dispostos sobre as mesas, para apreciação e conhecimento. Quem cozinhava chamou Daluzinha para uma revisão, antes da apresentação final. Daluzinha confiante em quem preparava, dispensou o ato de supervisão.

Cada um ali presente, naquele espaço em um determinado tempo, doou o seu tempo, para ouvir e ser escutado, trocar ideias e pensamentos. Traçar planos e metas, para que as histórias contadas naquela sombra de um sábado, com sol e as vezes com chuva. Histórias que podem ser levadas pra outras sombras. Parque urbanos com sombras e arvores, ou ate mesmo parques tecnológicos com informação e conhecimento.

Pensaram em criar um Banco de Tempo, oferecendo seu tempo, com o que sabem fazer, a quem não tem tempo e nem dinheiro, possuindo muitas necessidades, mas necessita do tempo de outros com alguma habilidade ou facilidade. E com o tempo de outros, aqueles que não tem tempo, podem descobrir que possuem tempo e algumas habilidades, que não sabiam, mas podem se uteis para outros.



RN, 05/06/2016

Texto publicado em:

http://pelasruasdenatal.blogspot.com.br/2016/06/banco-de-tempo.html

http://www.publikador.com/educacao/roberto-cardoso/banco-de-tempo